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Um breve debate sobre a formação do profissional na área biomédica

  • E.Paradela
  • 6 de fev. de 2018
  • 22 min de leitura

O especialista em genética forense deve ser alguém com visão generalista ou não? Vive-se em uma sociedade na qual a visão global parece inatingível. A escola, a exemplo da sociedade, se fragmentou em busca da especialização, fracionando os saberes em áreas e priorizando conteúdos. A fragmentação do saber, causada pela aceitação do pensamento reducionista, proporcionou o surgimento de diversos problemas na formação do profissional da área biomédica, dentre os quais destacam-se: ausência quase total de interdisciplinaridade; surgimento das "subespecializações"; falta de fundamentos para as pesquisas científicas protocolares; limitado desenvolvimento do espírito crítico; dependência cultural dos interesses econômicos.


Vamos iniciar um breve debate a respeito deste tema?











Texto:


VERDADE E PÓS-MODERNIDADE NA CULTURA CIENTÍFICA

Eduardo Paradela - Grupo de Pesquisa Linguagem, Cognição Humana e Processos Educacionais / UERJ; Centro Universitário da Cidade

Luiz Antônio Gomes Senna (UERJ)


Texto extraído dos anais do 14o COLE, ano 2004.



Vive-se em uma sociedade na qual a visão global parece inatingível. A escola, a exemplo da sociedade, se fragmentou em busca da especialização, fracionando os saberes em áreas e priorizando conteúdos. A fragmentação do saber, causada pela aceitação do pensamento reducionista, proporcionou o surgimento de diversos problemas na formação do profissional da área biomédica, dentre os quais destacam-se: ausência quase total de interdisciplinaridade; surgimento das subespecializações; falta de fundamentos para as pesquisas científicas protocolares; limitado desenvolvimento do espírito crítico; dependência cultural dos interesses econômicos. O caminho apontado para a aceitação de um novo paradigma na educação está na reforma do pensamento e das instituições. O Pensamento Complexo, descrito por Edgar Morin, aponta novos horizontes para a reestruturação dos currículos e para a resolução dos muitos problemas causados pelo antigo paradigma científico, oriundo das idéias de Newton e Descartes. 1 – Introdução O homem conhece o mundo a partir de suas próprias percepções. Definindo-se sistema como a inter-relação de elementos que definem uma entidade, deve-se analisar a forma com a qual este observador vê o mundo. A procura do conhecimento é uma característica humana que visa traduzir a complexidade (aquilo que é “real”). Entretanto, é impossível encerrar o real em qualquer sistema de pensamento ou de produção. A biologia molecular tornou visível uma organização autônoma da vida celular. Juntamente a isto, surgiu o questionamento a respeito do que é inato e do que é adquirido. A inteligência, o caráter e a personalidade humana sofrem influência do meio, existindo uma lógica do sujeito vivo, que relaciona o Ego (auto), as referências e a transcendência. De acordo com o princípio de sujeito, o ser vivo, enquanto centro de referência e preferência, exclui qualquer outro sujeito de seu sítio de sujeito, demonstrando um ego-autocentrismo que supõe a qualidade lógico-organizacional de referência a si.1,4Nossas instituições de ensino e de pesquisa carecem de um princípio organizador do conhecimento, o qual contenha a descrição do objeto e a descrição da descrição. Existe na natureza uma ordem e tudo, desde o átomo até a Via Lactea, obedece a esta ordem e de acordo com as leis da Termodinâmica, tanto a ordem quanto a desordem são co-produtoras do sistema. O conhecimento humano hoje é enciclopédico. Contrariamente, neste contexto, o conhecimento do homem pelo homem se torna cada vez mais velado. Vive-se em uma sociedade na qual a visão global parece escapar a todos e a cada um. Isto é decorrente da fragmentação do saber. A escola, a exemplo da sociedade, se fragmentou em busca da especialização. Inicialmente, os saberes foram divididos em áreas, sendo alguns conteúdos priorizados. O pensador Edgar Morin propõe uma reforma do pensamento. Em sua teoria da Complexidade, explicada em sua série O Método,2,5,6,7 é defendida a interligação de todos os conhecimentos, combatendo o reducionismo instalado em nossa sociedade e valorizando o complexo. Na área da educação, Morin mantém a essência de sua teoria. Ele vê a sala de aula como um fenômeno complexo, que abriga uma diversidade de ânimos, culturas, classes sociais e sentimentos. A escola é um espaço heterogêneo e, por isso, o lugar ideal para iniciar essa reforma da mentalidade. 2,5,6,7É uma tendência do homem afastar tudo o que parece complicado, livrando-se dos fenômenos e eliminando o problema da complexidade. A teoria de Morin prega que se faça, com urgência, uma modificação nesta forma de pensar. Em relação ao currículo escolar, o autor aponta a fragmentação do saber como sendo um problema de ordem mundial, o que dificulta a perspectiva global que facilita o saber. O conjunto facilita a aprendizagem porque o aluno busca relações para entender, aprendendo mais quando consegue contextualizar. 1O termo reducionismo diz respeito a redução de um sistema complexo para entendê-lo a partir de suas partes constituintes. Isaac Newton, por exemplo, comparou o Universo a bolas de sinuca movidas pela ação de forças e reduziu o funcionamento do mundo a apenas três leis básicas. A biologia procura compreender os organismos vivos pelo estudo do funcionamento de células e genes e, na química, a simplificação desceu ao nível de átomos e moléculas. Desta maneira, o termo reducionismo significa que objetos e formas de ordem superior sejam reduzidos a meras "combinações" de objetos e formas de ordem inferior. A economia e as ciências naturais concordam em grande parte que espírito, cultura e sociedade possam remontar a elementos biológicos ou mesmo econômicos (funções), e esses, por sua vez, a elementos físicos. A consciência humana, o pensar e as formas de interação social a eles conexas devem ser reduzidos a processos neurobiológicos no cérebro. A "fórmula universal" buscada pelos físicos seria, se atingida, o coroamento desse reducionismo. Entretanto, esta não passaria de uma fórmula vazia, pois a consciência resulta tão pouco da descrição de processos neurobiológicos. A consciência supõe "significado" de conteúdo, e isso é "fundo", não "forma", que jamais é idêntico à execução de funções neurobiológicas. Com relação ao "significado" e ao conteúdo, a pesquisa científica neurológica não é por si só determinante.É importante buscar uma definição mais abrangente para o termo reducionismo, principalmente em virtude de o seu uso ser abusivo e inadequado em muitos casos. O reducionismo teórico é a crença de que existe uma super-teoria, para a qual convergiriam todas as teorias já propostas: unidade da ciência. Existem ainda o reducionismo ontológico e o metodológico. De acordo com o primeiro o todo pode ser descrito pelos seus elementos constituintes, ou seja, a parte existe isolada do todo. O segundo é a crença de que, em ciência, é sempre possível particionar o todo em elementos menores constituintes. Em contrapartida, existem os sistemas complexos, rede(s) de objetos (agentes, elementos ou processos) que exibem um comportamento dinâmico agregado. A ação de um objeto afeta possivelmente as ações subseqüentes de outros objetos na rede, de modo que a ação do todo é mais do que a simples soma das ações de suas partes. Conseqüentemente, um sistema é complexo se ele não for redutível a poucos graus de liberdade ou a uma descrição estatística. Como exceção pode-se citar o sistema caótico, que é um sistema complexo passível de descrição determinística e com poucos graus de liberdade.Como fruto do pensar reducionista na educação, diversos problemas surgiram na formação do profissional da área biomédica: Ausência quase total de interdisciplinaridade;Fragmentação do saber, o reducionismo e as subespecializações; Crise da falta de fundamentos para com o conhecimento produzido pelas pesquisas científicas protocolares; Limitado desenvolvimento do espírito crítico;Incapacidade que a “ciência” tem de pensar sobre si mesma de modo científico; Criação de “etiquetas” do saber como títulos (M.D., Ms.C., Ph.D etc), mistificando o conhecimento e dificultando a sua renovação;Dependência cultural dos interesses econômicos. 2-Objetivos O reconhecimento de que estamos vivenciando crises nas mais diversas áreas da ação humana tem inquietado e motivado vários cientistas e pesquisadores a desenvolverem estudos que expressam formas de entendimento e explicações, ao mesmo tempo que apontam possibilidades de sua superação. Grande parte destes estudos evidenciam que as respostas dadas pelos homens diante da tensão entre o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e as necessidades de sobrevivência da espécie constitui-se em um dos principais elementos desencadeadores dessas crises. O diálogo inter-disciplinas vem se impondo a partir da última década como uma necessidade crescente. Vários motivos a justificam, dentre os principais destaca-se a transformação do próprio conceito de disciplina científica e do que se entende por cientificidade. Até o presente momento, o paradigma dominante na ciência tem levado à divisão do conhecimento em disciplinas e estas em subdisciplinas. Este trabalho visa discutir o papel do pensamento reducionista na formação do profissional da área biomédica, apontando outros caminhos para a estruturação dos currículos. 3- DiscussãoO século XX introduziu transformações revolucionárias. Desde a queda do Império Romano, no século V, não se via tão importantes mudanças.4 A democracia norte-americana decretou o fim da hegemonia européia. O realismo científico depôs o humanismo nas escolas e assumiu a direção das questões humanas. Um dos fatos mais importantes do século XX foi o acúmulo de riquezas na América do Norte. A renda per capita dos EUA proporcionou à maioria de seus cidadãos um alto padrão de vida e lazer para o povo de uma forma antes nunca vista. Este, entre outros fatores, fez dos padrões de vida dos norte-maericanos um modelo ideal a ser seguido. Os Estados Unidos, desde 1938, quando John Rockfeller Jr. optou por investir em uma ciência com grandes chances de ascensão, a biologia molecular, passaram a aceitar e reproduzir o pensamento reducionista. Cientificamente, muitos foram os avanços proporcionados por esta medida. Pode-se citar o Projeto Genoma Humano e a Terapia Gênica como exemplos. Contudo, para outros aspectos da vida humana, os avanços não foram tantos. O avanço tecnológico nos meios de produção fez com que, cada vez mais, o trabalhador se especializasse para responder ao mercado de trabalho. Este fator foi preponderante para um fenômeno que está evidente neste início de século: o aumento de vagas no ensino superior. Com isto, um número cada vez maior de pessoas atinge o ensino universitário. Esta nova demanda multiplicou o número de instituições de ensino superior. O perfil deste novo aluno é muito variável, embora ainda persista uma elitização do saber. Contudo, alguns fatores podem ser diagnosticados nos alunos de curso biomédico. É comum a apresentação de conteúdos em disciplinas que, muitas vezes, não demonstram as inter-relações entre as matérias. O aluno, em geral oriundo de escolas que priorizam o desmembramento de problemas para a resolução de partes, apresenta dificuldades em criar pontes entre os conteúdos de suas disciplinas até por não possuir a habilidade de correlacionar adequadamente desenvolvida. Isto, ao menos em parte, é fruto do pensar reducionista que domina o mundo ocidental desde o século passado. As ciências clássicas, quando destacadas da filosofia assumiram características deterministas com uma pretensão de neutralidade que permitiram o desenvolvimento de uma tecnologia como produto de um conhecimento positivo da natureza. Entretanto, enquanto essa vertente cientificista ia tomando corpo, outras pesquisas, que produziam resultados divergentes dos paradigmas dominantes, começaram a abalar as certezas em torno das leis clássicas da física. Surge então a necessidade de dar resposta a algumas questões surgidas em nosso tempo. Em 1.900, Plank introduz o conceito de quantum de energia, desencadeando uma crise na física. O desastre em Goiânia ou Chernobil, a falta de precisão da Challenger, a recente explosão da nave Columbia e a sensação de impotência perante a Síndrome da Imune Deficiência Adquirida são exemplos de situações que levaram a uma crise nas ciências (ou ciência). Isto tem levado ao enfrentamento de problemas de caráter filosófico. O Homem sempre se revelou contra o abstrato, o geral, e o princípio da contradição: amor e ódio, santo ou demônio. Partindo deste ponto, a ciência busca propostas novas capazes de resolver problemas antes duvidosamente explicados pelas ciências herdadas do pensamento de Newton e Descartes. René Descartes e Isaac Newton são os autores, no século XVII, de mudanças cujas conseqüências têm impregnado em nossa maneira de fazer, pensar e até sentir, hoje e durante estes trezentos anos que nos separam deles. É grande o impacto do binômio Descartes/Newton na elaboração do paradigma ocidental que predomina e rege nossa civilização ocidental. No século XVIII, com a visão mecanicista do mundo finalmente estabelecida na sociedade, a física se converteu naturalmente na base de todas as ciências. Se era certo que o mundo era considerado e funcionava como uma máquina, era justamente a mecânica newtoniana a que oferecia o melhor instrumental, com suas leis precisas e rigorosas, para sua compreensão.Entretanto, desde o final do século XIX, com os conceitos de eletrodinâmica de Maxwell, começa a ruir o paradigma mecanicista newtoniano. Maxwell apresentou uma realidade que não podia ser decomposta em componentes básicos (uma das premissas do pensamento newtoniano), o campo eletromagnético. O campo funciona como um todo, não sendo redutível a unidades fundamentais. Mas o responsável direto pela ruptura da visão de mundo de Newton foi Albert Einstein, ao publicar, em 1905, sua Teoria Especial da Relatividade, mais tarde ampliada para Teoria Geral da Relatividade. Para determinados autores, a percepção de mundo é passível de erros, como o self-deception e erros (ruídos) de comunicação.2,4 No sistema educacional, cada disciplina funciona como uma janela para o mundo. Aceitando-se isto, deve-se também aceitar a existência de outros observadores olhando de outras janelas. Estes, contudo, dificilmente enxergam o mesmo mundo, a mesma realidade. Quando este pensamento é aplicado na análise dos cursos de graduação e de pós-graduação na área biomédica, assim como em outras, pode-se questionar se cada investigador observa o mesmo mundo, uma vez que cada um usa sua lente (experiências, pré-conceitos, capacidades mais desenvolvidas, treinamento técnico) para ver através da janela. Esta composição lente-janela é única. A partir deste ponto, surge outro fator importante: a comunicação. Os relatos e publicações científico-acadêmicas são permeados de ruídos. Ao iniciar a observação de um fenômeno, o investigador científico deve estar destituído de pré-conceitos. Mas, como separar o homem de suas vivências? A tradução do fenômeno observado em palavras pode conter a auto-enganação. O ruído de comunicação pode estar presente e a leitura de uma proposição científica muitas vezes pode ser feita de diferentes maneiras. 2,3,4Surgem então alguns questionamentos, tais como o que é ciência? O que é o método científico? O que é o conhecimento científico? A ciência não é algo fácil de se definir. Teoricamente ela se apóia em um método. Mas não seria este uma regra de repetitividade? De acordo com o filósofo da ciência Karl Popper, uma hipótese não pode ser verificada, pode apenas ser refutada. Este conceito de Popper atingiu ao mesmo tempo o verificacionismo e a indução.O avanço da ciência e o progresso tecnológico são devidos em boa parte à verdadeira exploração da pesquisa disciplinar em diferentes graus, do mais simples, a multidisciplinaridade, ao mais complexo, a transdisciplinaridade, conceito que envolve não só as interações ou reciprocidades, mas também a colocação destas relações dentro de um sistema total, sem limites rígidos entre as disciplinas.Pode-se considerar a complexidade como sendo mais abrangente que a transdiciplinaridade. A complexidade é o termo adequado para tratar o mundo real, que é uno, indivisível, onde o todo é parte do tudo. Como exemplo, do que vamos entender por complexidade, tem-se a seqüência do código genético. A grande descoberta do Projeto Genoma é que a evolução do homem na escala zoológica se deve não à quantidade de genes, mas à complexa relação que se estabelece entre eles. O homem tem 3,2 bilhões de pares de genes, enquanto que a ameba tem 670 milhões. Pode-se indagar então: como com tão poucos pares de genes, o homem pode evoluir tanto, enquanto a ameba continuou no mesmo patamar evolutivo? De fato, a variabilidade humana é decorrência das complexas interações entre os genes, ou seja, da sua competência organizacional.Estes exemplos evidenciam o que Morin 2,4 entende por complexus, ou seja, o que foi tecido junto. Isto significa que só há complexidade quando elementos diferentes, uma vez tecidos juntos, se tornam inseparáveis, constituindo um todo, um sistema, no qual as partes constituem uma unidade complexa – unitas/multiplex. É importante marcar que a noção de sistema de Morin se distancia da noção funcionalista e reducionista. Enquanto esta última reduz as propriedades das partes às propriedades do todo, simplificando o problema da unidade complexa, aquela parte do pressuposto de que o sistema se constitui a partir da articulação, da organização e da unidade complexa. O sistema é uma complexão, ou seja, um conjunto de partes diversas inter-relacionadas.2,3,4 Nessa perspectiva, vamos entender a organização como um sistema auto-organizado complexo. Para se compreender melhor a organização, é preciso o auxílio da noção de polaridade. O fim da tensão antagonista produz uma monopolização homogeneizante de um dos pólos, provocando uma despolarização do outro. O dinamismo polar se fundamenta em três noções básicas: a mudança, que impede a confusão entre pólo e tipo, a coesão antagonista e enfim a degenerescência patológica do dinamismo. São essas noções que constituem e marcam a história do homem e das civilizações. Contudo, quando ocorre a hegemonia de um dos pólos, a relação de complementaridade entre eles se rompe.8,9 A complexidade pauta-se por três princípios que se inter-relacionam: o dialógico, o recorrente e o hologramático. O princípio dialógico consiste em manter a unidade de noções antagônicas, ou seja, unir o que aparentemente deveria estar separado, o que é indissociável, com o objetivo de criar processos organizadores e, portanto, complexos. O princípio recorrente é o que nega a determinação linear que promove a criação de novos sistemas e pode ser entendido como processos em circuitos, de modo que os efeitos retroagem sobre as causas desencadeadoras. É mais que um circuito e que uma retroação reguladora, presentes na cibernética, é um processo organizador necessário e múltiplo que envolve tanto a percepção como o pensamento.2,10 O princípio hologramático apresenta o paradoxo dos sistemas em que a parte está no todo assim como o todo está na parte. É a totalidade do patrimônio genético que está presente em cada célula. Concebe a imagem física do holograma, que concentra em si todos os pontos e é projetada no espaço em três dimensões. Sua projeção remete-nos à imagem do objeto hologramático com sensações de relevo e de cor. O rompimento de uma imagem hologramática não apresenta imagens mutiladas ou fragmentadas, mas imagens completas multiplicadas. A partir de 1930 a perspectiva holística tornou-se conhecida como "sistêmica" e implica um pensamento em termos de sistemas. O pensamento sistêmico emergiu durante a primeira metade do século, especialmente ao longo dos anos 20, simultaneamente em várias disciplinas. A biologia foi a pioneira; ela enfatizou a visão dos organismos vivos como um todo integrado, cujas propriedades não podem ser reduzidas às propriedades das suas partes. Esta escola foi chamada biologia organísmica. Posteriormente o pensamento sistêmico foi enriquecido pelos psicólogos e a escola da Gestalt, palavra alemã que significa "forma". O que esses psicólogos descobriram é que os organismos vivos não percepcionam as coisas em termos de elementos isolados mas em termos de padrões perceptivos integrados - todos significativamente organizados -que apresentam qualidades ausentes nas suas partes. A ecologia foi a terceira disciplina onde o pensamento sistêmico emergiu. Hoje, a ecologia é uma jovem ciência. Os naturalistas no século XIX foram os seus precursores. Por volta dos anos 20 surge o termo "ecosistema" o seu aparecimento marca o inicío da ecologia como uma ciência independente. Os ecologistas focalizaram o seu estudo em comunidades de animais e plantas e constataram uma vez mais a sua irredutível totalidade. Em particular observaram redes de relações - a “web” da vida.9,10O pensamento linear oriundo do século XIX colocava o desenvolvimento da especialização como supremacia da ciência, contrapondo-se ao saber generalista e globalizante A complexidade surgiu como um questionamento a fragmentação do conhecimento. A complexidade parte da noção de totalidade e incorpora a solidariedade, colocando, lado a lado, razão e subjetividade humanas. A solidariedade, presente na complexidade, coloca-se na educação por meio da transdisciplinaridade. É preciso considerar-se aspectos como princípio da incerteza, perspectiva dialética e dialógica e dimensão espiritual do humano. Para atingir a transdisciplinaridade, é necessário o rompimento com idéias preconcebidas ou reducionistas. A complexidade propõe um modelo educacional emancipador, pois favorece a reflexão do cotidiano, o questionamento e a transformação social, ao passo que concepções reducionistas, revestidas de pensamentos lineares e fragmentados, valorizam o consenso de uma pedagogia que, visando a harmonia e a unidade, acaba por estimular a domesticação e a acomodação.10 O pensador Edgar Morin afirma: “(...) para compreendermos o homem, devemos unir as noções contraditórias do nosso entendimento. Assim, ordem e desordem são antagonistas e complementares, na auto-organização e no devir antropológicos. Verdade e erro são antagonistas e complementares na errância humana”. 11Precisamos ligar o homem razoável (sapiens) ao homem louco (demens), ao homem produtor, ao homem técnico, ao homem construtor, ao homem ansioso, ao homem gozador, ao homem extático, ao homem cantante e dançante, ao homem subjetivo, ao homem imaginário, ao homem mitológico, ao homem em crise, ao homem neurótico, ao homem úbrico, ao homem destruidor, ao homem consciente, ao homem inconsciente, ao homem mágico, ao homem racional, numa cara com muitas faces, em que o hominídeo se transforme definitivamente em homem.Todos estes traços se dispersam, se compõem, se recompõem, consoante os indivíduos, as sociedades, os momentos, aumentando a incrível diversidade da humanidade. Isto corresponde bem ao que Marx entendia pela noção de homem genérico, e que se confunde aqui, para nós, com a noção de natureza humana. “O ser humano traz em si um conjunto de características antagônicas e bipolares. Ao mesmo tempo que é sábio é louco; é prosaico e é poético; é trabalhador e lúdico; é simultaneamente empírico e imaginário, e assim por diante. Vive de muitos jeitos e se apresenta de várias perspectivas. É unidade e dualidade; é multiplicidade, pluralidade, antagonismo, complementaridade e indissociabilidade; é corpo, mente, idéias, espírito, magia, afetividade... É um homo complexus”.4Para Morin,2,5,6,7,11 as idéias prioritárias são: 1- Ética da religação, que inclui o que associa, une e solidariza, opondo-se ao que disjunta, reduz e fragmenta; 2- Ética do debate, que pressupõe a argumentação e a polêmica, mas rejeita os meios ilícitos, os insultos e os julgamentos de autoridade; 3- Ética da compreensão, que permite o conhecimento do sujeito como tal, fraterniza as relações e procura re-humanizar o conhecimento político; 4- Ética da magnanimidade, que se contrapõe à vingança, à punição, à barbárie e a qualquer forma de preconceito, promovendo a clemência e a generosidade; 5- Incitação às boas vontades para a salvação dos seres humanos e do Planeta, incluindo o apelo a todos os sujeitos, sejam eles sapiens ou demens; 6- Ética da resistência, necessária e fundamental aos tempos de barbárie, como arma para se chegar ao futuro. Fritjof Capra12 destaca que a visão cartesiana, quando aplicada à área da saúde, subdivide o paciente em partes, excedendo-se em especialização esquecendo-se que o homem encontra-se completamente interrelacionado em um complexo biopsicosocial, essa visão simplória, imediatista e excessivamente específica, mascara a etiologia dos problemas de saúde levando o profissional a não obter sucesso em seu diagnóstico e conseqüentemente a cura da enfermidade. Capra cita ainda: “Empolgados pelos êxitos do método reducionista (analítico), com especial destaque, recentemente, no campo da engenharia genética, eles (os cientistas) tendem a acreditar que este é o único enfoque válido, e organizaram a pesquisa biológica de acordo com ele. Os estudantes não são encorajados a desenvolver conceitos integrativos, relacionais, e as instituições de pesquisa dirigem suas verbas quase exclusivamente para a solução de problemas formulados no âmbito dos conceitos cartesianos. Os fenômenos biológicos que não podem ser explicados em termos reducionistas são considerados indignos de investigação científica. Por conseguinte, os biólogos desenvolveram métodos muito curiosos para lidar com os organismos vivos.12O profissional da área biomédica, hoje, apresenta dificuldades para observar e descrever o mundo em suas várias dimensões, como a ética, ecológica, política, social, intra-espécie, psico-social, econômica, estratégica e integrativa. Os cursos biomédicos vêm apresentando elevados índices de evasão em disciplinas isoladas e no curso como um todo e, no discurso de seus professores, os alunos aparecem muitas vezes como desinteressados e carentes de conteúdos básicos que os instrumentem para a otimização do seu aproveitamento.13 O pensamento cartesiano na biologia, na medicina, na psicologia e na economia limita os problemas aos níveis orgânicos. Isto leva a um impasse perigoso, ao mesmo tempo em que antevê boas perspectivas para o futuro e traz uma nova visão da realidade, que envolve mudanças radicais em nossos pensamentos, percepções e valores. Essa nova visão inclui conceitos de espaço, de tempo e de matéria, desenvolvidos pela Física subatômica; a visão de sistemas emergentes de vida, de mente, de consciência e de evolução; a correspondente abordagem holística da saúde e da medicina; a integração entre as abordagens ocidental e oriental da psicologia e da psicoterapia; uma nova estrutura conceitual para a economia e a tecnologia.14Em uma síntese da atual realidade, no campo do saber institucionalizado, Edgar Morin aborda a questão da mutação em processo no mundo: a urgência de uma reforma do pensamento que se sintonize com a nova ótica, por meio da qual o mundo vem sendo redescoberto pelas ciências e transformado pela informática.Da imensa rede de fenômenos ou de temas que vêm sendo pesquisados por filósofos e outros cientistas, destacamos um que é, inegavelmente, basilar em seu pensamento: o confronto que vem sendo feito entre o mundo das certezas, herdado da tradição (fundado na concepção cartesiano-newtoniana, racionalmente explicável por leis naturais, simples e imutáveis), e o mundo das incertezas, gerado pelo nosso tempo de transformações (mundo complexo, desvendado pela física “einsteniana” que põe em xeque as leis simples e imutáveis em que se apoiava o conhecimento herdado).Umas das revolucionárias descobertas de nosso tempo é que a ciência já não é o reino da certeza. Se, por um lado, o conhecimento científico se constrói sobre múltiplas certezas, por outro deixou de ser o domínio da certeza absoluta, no plano teórico. Pode-se dizer que o principal "nervo" do pensamento complexo proposto por Morin é a busca de uma nova percepção de mundo, a partir de uma nova ótica: a da complexidade. Em lugar da antiga percepção reducionista, cartesiana, propõe-se a conquista de uma nova percepção sistêmica, pós-cartesiana, ainda em gestação. Claro está que o conflito entre essas duas percepções ainda está longe de ser resolvido. Sua solução, como sabemos, depende das transformações em processo no mundo. Mas, ao mesmo tempo (como alerta Morin) essas transformações dependem da crescente conscientização dos homens, em relação a elas e ao novo lugar que cabe a cada um de nós no novo universo. 1,4,11A complexidade de novo mundo em processo é pois a nova perspectiva, por meio da qual o novo conhecimento deve ser procurado. É essa a grande bandeira que Morin vem levantando em sua cruzada pelo mundo, instigando as pesquisas de um novo saber e apontando o pensamento complexo e o método transdisciplinar como possíveis caminhos de busca.Não há dúvida de que esse é o grande problema do ensino e da pesquisa, em nossos dias: o do conhecimento a ser descoberto, não mais isolado como algo-em-si, mas em suas complexas relações com o contexto a que pertence. É esse um dos impactos do pensamento proposto por Morin. O tentarmos assumi-lo resulta em um verdadeiro desafio à nossa capacidade de elaborar o nosso conhecimento, seja no sentido de organizar, em "sínteses provisórias", a avalanche de informações que nos assaltam por todos os lados; seja nas incertezas, que nos lançam em dúvida, quanto à validade ou não do próprio processo de conhecer, que a nova ótica (imposta pela complexidade dos fenômenos) veio pôr em questão.É em torno desse "sujeito interrogante" e do poder formalizador de sua "palavra" (ou forma de expressão), que gira hoje o interesse maior das pesquisas, nos vários campos do saber, visando descobrir novas práticas que substituam as antigas, já superadas.Em um mundo descentrado como o nosso, cada um de nós se torna um centro responsável pela experimentação de novas práticas, sintonizadas com o novo pensamento sistêmico. É o que vem sendo feito por pequenos grupos, em vários campos da pesquisa e do ensino, pelas mil veredas desse "sertão" pós-formal. Não há caminho principal, nem centro orientador. Todos os caminhos são válidos. Tudo depende do sujeito que está no centro da busca e do objetivo-alvo. Essa é uma das idéias básicas do pensamento complexo: em meio à multiplicidade de caminhos que se abrem à investigação, é fundamental a existência de um centro comum a todas as áreas interligadas: a presença de um eu pensante e do projeto (de vida e de busca do saber) que ele ponha em ação.Sem dúvida, uma das áreas em que o pensamento complexo (ou pensamento pós-formal) vem causando maior impacto é o da educação e do ensino. Área que, por natureza, deve ser a "cúpula" ou a síntese da sociedade (cujos valores e conhecimentos de base ela tem a tarefa de transmitir às novas gerações), nestes tempos de mudanças estruturais, está sendo obrigada a exercer uma tarefa aparentemente oposta: a de questionar tais "valores e conhecimentos de base" e propor outros em substituição, sem traumatizar o sistema. É esse um dos nós górdios a serem desatados neste século que se inicia. Em A Cabeça Bem Feita,4 Morin dedica especial atenção ao impasse sociedade-escola e ao "buraco negro" que vem engolindo as sucessivas tentativas de reforma.Na universidade predominam as funções de distribuição do conhecimento em lugar de predominar a pesquisa e a produção do conhecimento, as reflexões e a crítica. O saber deve ser continuado e não confinado no tempo escolar. 4-Conclusão Nossas instituições de ensino e de pesquisa carecem de um princípio organizador do conhecimento, o qual contenha a descrição do objeto e a descrição da descrição. Embora o conhecimento humano seja, hoje, enciclopédico, o conhecimento do homem pelo homem se torna cada vez mais velado. Vive-se em uma sociedade na qual a visão global parece difícil de ser alcançada. Isto é decorrente da fragmentação do saber. A escola, a exemplo da sociedade, se fragmentou em busca da especialização, fragmentando os saberes em áreas, sendo alguns conteúdos priorizados. A especialização na sociedade tecno-científica não reduziu a importância, mas ao contrário destacou a necessidade de um saber global. A educação humanista não deve ser considerada obsoleta, mas integrar-se ao avanço tecno-científico. Hoje, o saber transmitido é fragmentado, sendo desassociado às experiências do aluno. A educação compartimentalizada, que predomina nas esferas pedagógicas atuais, dificulta o pensar global. Tanto profissionalmente como quanto pessoa, o cientista não se encontra capacitado para enfrentar o crescimento da complexificação da realidade. O enfrentamento de problemas globais exigem uma mentalidade e uma atitude interdiciplinar, holística e sistêmica. Desta forma, o pensar reducionista já não acompanha os avanços nas áreas sociais, tecnológicas e científicas, sendo preciso concordar com Edgar Morin quando este diz que é preciso reformar o pensamento.A lenta transformação de tudo em "objeto da ciência" esconde seu fundamento: a transformação de tudo em objeto. Sem o histórico processo de objetificação, sem “objetificar”, o pensamento científico fica inoperante, principalmente porque suas razões são funcionais. Sem essa funcionalidade a Ciência não existe. Sua função é ter função, isto é, gerar coisas ou teorias que possibilitem futuras utilizações. Seu pensamento é "industrial". As operações lógicas que lhe cabem são somente aquelas que permitem a construção, a utilização social de determinado conhecimento para criar bases econômicas e de poder. Sua eficácia provém exatamente da objetificação e conseqüente desumanização invisível.O trabalho intelectual tem sido privilegiado no modelo de desenho curricular que tem predominado nas principais escolas teóricas. Capra afirma: "Nossa cultura orgulha-se de ser científica e em nossa civilização predomina o pensamento racional e com freqüência se considera o conhecimento científico como o único aceitável. Não se admite a existência de uma sabedoria ou consciência intuitiva, tão válida e séria como a anterior. Esta postura está muito difundida e tem penetrado em nosso sistema educativo e em todas as demais instituições sociais e políticas".12 O conceito mecanicista está na base de muitas de nossas atividades e um resultado dela se vê na conhecida fragmentação de nossas disciplinas acadêmicas e de nossas agências governamentais.Alguns são os critérios que se destacam para o pensamento com o novo paradigma da ciência. A troca da parte pelo todo é fundamental, uma vez que no velho paradigma estão primeiro as partes com suas características e propriedades, mais além da existência de outras partes. Todavia no novo paradigma, não existem propriedades intrínsecas de cada parte, não existem partes no sentido tradicional: as propriedades se entendem a partir da compreensão do todo. Esta foi a percepção chave da física do início do século, em definitivo, uma nova forma de compreender a partir da ciência. No âmbito da educação distingue-se dois termos: "ensino individualizado" e "ensino personalizado". Uma educação personalizada se aproxima mais do conceito do aluno como pessoa, ou seja, aquele que está relacionado com outras pessoas e com a natureza. Sua aprendizagem ocorre em relação e não isoladamente. Estamos falando de uma dimensão eminentemente social da aprendizagem.15,16É importante ainda a troca da estrutura pelo processo. Um dos conceitos chave nesta mudança é o de auto-organização que, para Capra,12 tem três aspectos fundamentais: a pauta de organização, a estrutura e o processo. A pauta de auto-organização é a totalidade das relações que definem as características essenciais do sistema vivente. A estrutura de um sistema vivente é a realização física dessa pauta. A mesma pauta pode corporizar-se em distintas estruturas biológicas e estas estruturas se descrevem na linguagem da física e da química.É preciso que haja uma reestruturação curricular nos cursos biomédicos, para formação adequada de profissionais capacitados a enfrentar os desafios do novo século. Este novo currículo deve ser construído sob uma perspectiva holística, pois os problemas do homem moderno são globais e os processos de aprendizagem e correlação dos conteúdos devem ser levados em consideração. É fundamental que a filosofia volte a fazer parte do cotidiano do cientista e que este encare a realidade de modo mais humano, considerando os vários aspectos que compõem a vida do homem. A ausência quase total de interdisciplinaridade deve ser combatida, juntamente com a exagerada fragmentação do saber e o limitado desenvolvimento do espírito crítico. Este novo currículo não deve submeter-se exclusivamente aos interesses econômicos, ficando dependente destes. A partir deste ponto, o conhecimento irá fraternizar as relações e humanizar o conhecimento científico, pois aquilo que une solidariza, opondo-se ao que disjunta, reduz e fragmenta. A reforma do pensamento se tornou basilar, pois o antigo paradigma ocidental se tornou obsoleto. O universo newtoniano, o qual funciona sob leis matemáticas exatas e é quantificável e previsível, existindo segundo uma mecânica que opera sob os conceitos de espaço e tempo absolutos, já não mais atende às necessidades do século XXI. Toda essa visão de mundo que influenciou e ainda hoje influencia bastante a ciência ocidental está sendo substituída por uma nova concepção. A área da educação não deve ficar isolada desta nova concepção de universo.


5- Referências Bibliográficas

1- MORIN, E. Os Sete saberes Necessários à Educação do Futuro. Cortez, 2000.

2 MORIN, E. O método. II. A vida da vida. Lisboa: Publicações Europa-América, 1986.

3- PENROSE, R. O Grande, O Pequeno e a Mente Humana; trad. Roberto L. Ferreira. São Paulo: UNESP/Cambridge, 1998.

4- MORIN, E. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.

5- MORIN, E. O método. I. A natureza da natureza. Lisboa: Publicações Europa-América, 1986.

6- MORIN, E. O método. III. O conhecimento do conhecimento. Lisboa: Publicações Europa- América, 1986.

7- MORIN, E. O método. IV. As ideias: a sua natureza, vida, habitat e organização. Lisboa: Publicações Europa-América, 1986.

8- DURAND, G. A imaginação simbólica. São Paulo: Cultrix, 1988.

9- TEIXEIRA, M.C.S. O Imaginário Como Dinamismo Organizador e a Educação Como Prática Simbólica. Em: http://www.cice.pro.br/textos/cecilia_brasilia.doc.

10- PETRAGLIA, I.C. Complexidade e Auto-Ética. Em: http://www.geocities.com/ complexidade/izabel.html.

11- MORIN, E. O paradigma perdido: a natureza humana. 4a. ed. Portugal, Publicações Europa-América, 1973.

12 – CAPRA, F. O Ponto de Mutação, Ed. Cultrix, 1992.

13- SAUL, A. M. Avaliação emancipatória: desafio à teoria e à prática de avaliação e reformulação de currículo. São Paulo: Cortez, 1988.

14- KUHN, Th. A Estrutura das Revoluções Científicas; trad. Beatriz Boeira e Nelson Boeira. - São Paulo: Perspectiva, 1997.

15- GUIMARÃES, C. Percepção e Consciência. João Pessoa: Ed. Persona, 1996.

16- MORIN, E. , LE MOIGNE, J. A Inteligência da Complexidade. Fundação Petrópolis, 2000.


Extraído de: http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais14/Cse14.html


 
 
 

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